19 milhões de consumidores sofreram golpes financeiros ou alguma tentativa de fraude nos últimos 12 meses, aponta CNDL / SPC Brasil

Foto: Freepik

A cada dia surgem novos golpes financeiros que exigem do consumidor atenção e cuidado constantes. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 50% dos entrevistados sofreram alguma fraude ou alguma tentativa de fraude em instituições financeiras nos últimos 12 meses que antecederam a pesquisa, representando aproximadamente 18,8 milhões de consumidores.

O principal tipo de golpe foi o pagamento adiantado de um benefício ou bem, que nunca recebeu (7%). Outros golpes incluem transferência de dinheiro para compra de produtos em anúncios falsos postados em redes sociais clonadas de amigos e/ou conhecidos (6%), transferências de dinheiro para falsos conhecidos (5%). Invasão de contas em lojas online e compra com o cartão cadastrado (5%) e clonagem de cartões (4%) completam o topo do ranking.

“A ascensão dos bancos digitais eliminou as filas, mas também eliminou o tempo de reflexão que existia nas transações presenciais. Hoje, uma fraude acontece em segundos porque o sistema é feito para ser instantâneo. Essa nova realidade demanda um ‘freio de segurança’ por parte do consumidor. Não é sobre ser contra a tecnologia, mas sobre entender que a mesma palma da mão que faz um Pix em dois cliques, também pode entregar todo o seu patrimônio se você não tiver camadas de proteção e um olhar atento a links e mensagens suspeitas”, alerta o presidente da CNDL, José César da Costa.

As abordagens mais comuns de aproximação dos criminosos foram o envio de links falsos para pagamento de produtos (17%), seguidos por boletos falsos de contas de consumo, como luz e celular (9%), e tentativas de indução ao PIX por alguém se passando por um conhecido (6%).

O consumidor reage com cautela: 49% desconfiam de contatos estranhos, ligações de números de outros estados, ou mensagens de pessoas não reconhecidas, 45% suspeitam de promessas de “dinheiro fácil”, 42% desconfiam de ofertas de produtos e serviços com preços muito abaixo do mercado, e 42% não acessam sites que não consideram confiáveis.

Depois do ocorrido, 88% das vítimas buscaram proativamente uma solução. A negociação direta com a instituição (31%) é a primeira escolha, superando o boletim de ocorrência (26%) e o contato com a operadora do cartão (24%).

28% afirmam não ter conseguido recuperar o dinheiro perdido com a fraude

De acordo com o estudo, a maioria (63%) conseguiu recuperar o dinheiro, sendo que 23% apenas uma parte e 19% o valor total somado a danos morais. O prejuízo é persistente para 28%, que não tiveram qualquer ressarcimento.

A fraude gera um efeito cascata: 34% das vítimas foram negativadas em decorrência do golpe. 51% contrataram ajuda profissional (advogado ou empresa). Desses, apenas 28% resolveram o problema definitivamente, enquanto 10% seguem em busca de uma solução. 49% optou por caminhos independentes, e não recorreram a auxílio profissional.
“A segurança financeira no ambiente digital exige um comportamento preventivo e o uso estratégico das ferramentas que os bancos, instituições financeiras e lojas na internet já oferecem. Recomendamos que o consumidor priorize sempre o cartão virtual para compras online e utilize a biometria em seus aplicativos, criando camadas extras de proteção. Além disso, é fundamental desconfiar de mensagens com senso de urgência e nunca realizar transações bancárias em redes Wi-Fi públicas, priorizando sempre os dados móveis para evitar interceptações de dados”, destaca Costa.

METODOLOGIA

  • Público-alvo: internautas das 27 capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas (excluindo analfabetos).
  • Método de coleta: pesquisa realizada via web e pós-ponderada por sexo, idade, renda e escolaridade.
  • Tamanho amostral: 600 casos e pós ponderada considerando as capitais do país e perfil. Margem de erro no geral de 4,0 p.p. para um intervalo de confiança a 95%.
  • Data de coleta: 02 a 09 de janeiro de 2026.

CNDL – Criada em 1960, a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) é formada por Federações de Câmaras de Dirigentes Lojistas nos estados (FCDLs), Câmaras de Dirigentes Lojistas nos municípios (CDLs), SPC Brasil e CDL Jovem, entidades que, em conjunto, compõem o Sistema CNDL. É a principal rede representativa do varejo no país e tem como missão a defesa e o fortalecimento da livre iniciativa. Atua institucionalmente em nome de mais de 500 mil empresas, que juntas representam 9% do PIB brasileiro e 17% do PIB do setor, geram 7 milhões de empregos e movimentam R$ 600 bilhões por ano.

SPC Brasil – Há mais de 60 anos no mercado, o SPC Brasil é o maior bureau de crédito da América Latina, com informações de crédito de pessoas físicas e jurídicas. É a plataforma de inovação do Sistema CNDL para apoiar empresas em conhecimento e inteligência para crédito, identidade digital e soluções de negócios. Possui 232 milhões de CPFs no seu banco de dados, 57 milhões de CNPJs cadastrados e 120 milhões de consultas por mês. Oferece serviços que geram benefícios compartilhados para sociedade, ao auxiliar na tomada de decisão e fomentar o acesso ao crédito. É também referência em pesquisas, análises e indicadores que mapeiam o comportamento do mercado, de consumidores e empresários brasileiros, contribuindo para o desenvolvimento da economia do país.

Offerwise – Há mais de 16 anos que a Offerwise vem abordando de maneiras inovadoras a pesquisa de mercado. Com um modelo único e próprio de recrutamento tem conseguido construir um dos principais painéis de pesquisa no mundo, evoluindo para uma empresa robusta de campo online com uso de tecnologia avançada. Detém o maior e mais representativo painel da América Latina e Hispânico nos EUA. Os escritórios ao redor do mundo estão compostos por profissionais de pesquisa de mercado que conhecem e compreendem suas culturas locais e também os consumidores que se deseja alcançar.

Fonte: CNDL